Advogado

Marcelo Peloso

“Soube do secondment do escritório por meio do sócio Gonçalo C. Godinho, que me explicou sobre o programa. Após uma viagem à Irlanda, onde a banca Arthur Cox foi bastante receptiva à ideia de receber um advogado brasileiro, fui convidado para fazer o secondment lá.

Eu já tinha trabalhado bastante com eles e o Gonçalo entendeu que faria sentido eu ser o escolhido para a vaga.
Fiquei seis meses atuando no exterior e o trabalho, em si, foi similar àquele executado no Brasil. Não notei grandes diferenças nas tarefas realizadas ou nos conceitos de negociação entre um país e outro. As maiores diferenças foram quanto à cultura do escritório, do país e no mercado, em geral.

Diferentemente do que ocorre aqui, a cultura irlandesa é mais focada no lado profissional e não há grande relação interpessoal entre os advogados.

Do lado do escritório, existe uma grande preocupação com estrutura e treinamento, para que os profissionais sejam os mais eficientes e independentes possíveis. Cada advogado tem total liberdade para gerir seu tempo – os horários são flexíveis e os advogados são incentivados a serem eficientes para que consigam atingir um equilíbrio desejável de vida pessoal Vs. trabalho.

Do lado do advogado, tem também uma grande preocupação com eficiência e aproveitamento do tempo – não há horário de almoço, a maioria dos advogados come na mesa ou em 15 minutos.

Da mesma forma, reuniões externas (ou mesmo internas) são muito raras – a maioria das negociações se dá por meio de calls e/ou troca de minutas – tudo para que o tempo seja aproveitado ao máximo. A divisão de trabalho é também eficiente e o nível de ocupação de cada advogado varia pouco – todos possuem alta ocupação.

Os clientes são sensíveis aos custos de advogados, e utilizam os advogados externos com bastante sabedoria – muito raramente pedidos urgentes são feitos e as equipes têm de ser restritas a poucas pessoas por caso. Com isso, cada advogado tem um volume grande de trabalho dentro das operações, mas toca poucas operações ao mesmo tempo.

A Irlanda é um país extremamente interessante, de muita história e tradições diversas. As paisagens do país são belíssimas e reconhecidas mundialmente. Por ser um país relativamente pequeno, é possível conhecer lugares ‘distantes’ em viagens de um a três dias.

Durante a minha estadia, consegui conhecer boa parte da Irlanda e da Irlanda do Norte. As diferenças de paisagens, costumes, alimentação e cultura são muito interessantes e incomuns em uma nação tão pequena.

Foi uma excelente oportunidade para viver de perto um tema extremamente atual – o Brexit. O mais enriquecedor foi conhecer mais a fundo uma nova cultura e um novo país, que talvez eu não tivesse conhecido com profundidade sem fazer o secondment.

Levo comigo novos amigos, contatos e experiências profissionais e pessoais engrandecedoras.”