Os desafios da implementação do 5G no Brasil

A implementação do 5G no Brasil, prevista para acontecer nos principais centros do país em 31 julho, é uma das grandes apostas das empresas de telecomunicações para este ano. A novidade é vista apenas como a primeira etapa de todo um processo para construção de uma nova infraestrutura de internet móvel, que deve alcançar a cobertura completa apenas em meados de 2029.

Os futuros passos para a implementação do 5G no Brasil 

Em novembro de 2021, foi realizado um leilão pela Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) para a implementação da tecnologia 5G no Brasil. Além das três maiores operadoras do país, — Vivo, Tim e Claro —, também participaram do leilão algumas prestadoras de telecomunicações regionais, que adquiriram o direito de operar o 5G em algumas localidades do Brasil. O leilão (que além das frequências para o 5G, incluiu frequências de 4G) arrecadou um total de R$ 47,2 bilhões: R$ 4,8 bilhões para os cofres públicos, cerca de R$ 40 bilhões em investimentos futuros nas áreas arrematadas e R$ 2,6 bilhões em obrigações adicionais.

A partir desse leilão e da assinatura dos termos de autorização, essas empresas tiveram formalizado o direito de uso das frequências que possibilitaram a implementação da tecnologia no país, que será feita de maneira gradativa entre grandes centros urbanos e interior do país. 

Diante disso, quando teremos o 5G no Brasil? Estamos atrasados perante o restante do mundo ou muito aquém do esperado? Segundo o sócio de Tecnologia, Mídia e Telecomunicações do Demarest, Tomás Filipe Schoeller, o Brasil não está atrasado, pelo contrário. “Outros países da América Latina ainda estão promovendo suas licitações do 5G, a do Brasil foi vista como um sucesso justamente porque teve uma alta arrecadação, disputas pelas frequências e novos entrantes”, diz. “O que ainda temos são os desafios da burocracia brasileira, por exemplo a concessão de licenças municipais para instalação de antenas, sem as quais não há operação 5G”, completa.

A adaptação dos consumidores às mudanças

Hoje, em um mundo cada vez mais inclinado à vivência no home office, a internet de alta velocidade e capacidade se tornou item obrigatório nos lares de milhões de famílias. Soma-se ao novo formato de trabalho os novos hábitos da sociedade, como o streaming, que vem ganhando cada vez mais popularidade em diferentes camadas da população, seja na TV ou nos dispositivos móveis. Isso sem contar as novas aplicações de Internet das Coisas, em que não mais as pessoas, mas os objetos estão conectados. Tamanhas transformações fazem da implementação do 5G uma ação de enorme impacto, com potencial transformador tanto para empresas quanto para pessoas físicas. 

Por sua vez, um processo dessa magnitude envolve vários desafios. Primeiro, pelo fato de que a maioria dos celulares usados não são compatíveis com as redes 5G. Os novos aparelhos, que já começaram a chegar ao mercado, são caros e será necessário algum tempo para que a nova tecnologia esteja difundida em todo país. Ademais, as operadoras, por estarem gastando mais com todos os trâmites de transição de tecnologia, tendem a repassar os custos para os clientes, o que deve aumentar o custo da telefonia no país. 

A democratização ao acesso

Embora ter a tecnologia 5G no Brasil gere muitas expectativas, há ainda um caminho repleto de incertezas jurídicas, em razão de normas vigentes no Brasil, que foram editadas olhando para outras tecnologias.  “O 5G hoje coloca, por exemplo, em discussão o princípio da neutralidade da rede, que consta do Marco Civil da Internet.  A nova tecnologia permite diferentes arquiteturas, possibilitando o fatiamento da rede em diferentes “estradas”, o que poderia ser entendido como uma discriminação de tráfego. Este é um debate que vai precisar ser enfrentado. A discussão já começou aqui no Brasil, mas hoje eu diria que a gente tem mais dúvidas do que certezas”, aponta Tomás. 

A implementação do 5G no Brasil é parte de uma grande política pública em prol da expansão da conectividade em banda larga. O surgimento de novas conexões e de experiências online até então desconhecidas é uma questão de tempo. Aos poucos, as novas redes  serão disponibilizadas para todos, de forma democratizada.