Insights > Artigos

Artigos

Cinco Mitos sobre Mineração, segundo Paulo Haddad

29 de maio de 2013

Economista, professor, ex-Ministro do Planejamento e da Fazenda e consultor do Banco Mundial, o mineiro Paulo Haddad apresentou cinco teses que considera equivocadas sobre a mineração em workshop organizado pela Anglo American, em São Paulo. Veja alguns argumentos que ele apresentou a uma plateia relativamente diversificada, sobre o que chamou de “mitos da mineração”. Teve gente que sorriu, teve gente que aplaudiu. E teve gente que se contorceu bastante na cadeira.
 
1. A mineração é uma atividade extrativa e, portanto, agrega pouco valor ao que produz, com baixa contribuição para a expansão do PIB.
 
Além das reservas cambiais brasileiras geradas com a exportação de minério – mais de US$ 150 bilhões de 2006 a 2012 –, a atividade gera emprego e renda e demanda a criação de cadeias de suprimentos onde está instalada.
 
2. Os bens minerais estão sujeitos à deterioração nas relações de troca: os preços evoluem em ritmo menor do que os preços de manufaturados.
 
Avanços tecnológicos e melhorias na produtividade apontam que os produtos da mineração podem ter valor agregado maior e se tornar peças essenciais para o desenvolvimento. Além disso, a demanda por bens minerais é crescente e estável – dentro e fora do Brasil.
 
3. A produção mineral utiliza tecnologia tradicional e não gera inovação como em outros setores.
 
A indústria se adapta às necessidades de seu mercado, o que exige inovação – incremental ou radical – constante. Com a mineração não é diferente: investimentos em pesquisas e modernização se tornaram fator competitivo para que as empresas sobrevivam em tempos de “capitalismo natural”.
 
4. A mineração é uma atividade predatória dos ecossistemas, comprometendo o bem-estar das gerações futuras.
 
O famoso conceito da termodinâmica de que nada se perde, tudo se transforma é bem útil para entender o processo da mineração: se bem feito, não destrói ecossistemas, e sim utiliza seus recursos para alimentar um ciclo de desenvolvimento. Além disso, a legislação ambiental do Brasil é uma das mais rigorosas do mundo, e, se cumprida, garante a gestão e o controle dos impactos.
 
5. Quando entra na fase de exaustão, a mineração sempre deixa as regiões em que se localizam economicamente deprimidas.
 
A mineração não deixa “só buraco” por onde passa. Cidades como Marabá, Canaã dos Carajás e Parauapebas, no Pará, registram aumento em indicadores como o Produto Interno Bruto, por exemplo. A questão é que os municípios que recebem grandes projetos têm de sobreviver à exaustão da atividade mineradora. A chave, para isso, é a diversificação da base produtiva local.

Áreas Relacionadas

Mineração

Compartilhar