Aspectos legais em uma das novas fronteiras de expansão da atividade.
Na série Direito Minerário comparado, estudaremos a Angola, Congo, Gana e Moçambique.
Em Angola, as riquezas minerais pertencem ao Estado. A pesquisa e lavra de minério de ferro são exclusivas da empresa estatal Ferrangol – Empresa Nacional de Ferro de Angola. Ferrangol pode associar-se a outras empresas, nacionais ou estrangeiras.
As riquezas minerais são unidades jurídicas distintas do solo e subsolo. Exceto em relação ao minério de ferro, como já explicado, a legislação angolana não faz distinção entre empresas nacionais e estrangeiras na mineração.
No Congo, a principal legislação é o Código de Mineração de 2002. Os recursos minerais pertencem ao Estado. Há limitação para titulação de um Direito Minerário por um mesmo grupo econômico: 20.000 km2. O regime usual de aquisição de direitos minerários é o da prioridade. Em casos excepcionais, pode ocorrer licitação para áreas específicas. Disputas envolvendo o Código de Mineração podem ser solucionadas judicialmente ou no Juízo Arbitral. Há royalties que incidem sobre o valor líquido da venda do minério.
Em Gana, não há distinção entre nacionais e estrangeiros, exceto para mineração de pequena escala. Gana aceita os sistemas internacionais de determinação de reservas minerais. Entretanto, há regras internas que dão diretrizes para elaboração de estudos de viabilidade e seus relatórios. Há royalties para a mineração, fixados em 5% sobre o valor das vendas.
Em Moçambique, a Constituição Federal e o Código de Mineração estabelecem que as riquezas minerais são separadas do solo e subsolo e pertencem ao Estado. Há pagamento pela ocupação (surface taxes) para os titulares de títulos minerários para pesquisa e para lavra que são crescentes. Há royalties sobre a comercialização do minério.
As empresas de mineração devem ser constituídas sob as leis de Moçambique, mas não há restrição quanto à nacionalidade dos sócios ou do capital. Há disposição interessante, no sentido de que toda a terra pertence ao Estado. Por isso, as empresas de mineração não podem ser proprietárias do imóvel onde exercerão sua atividade, mas têm o direito de usar a terra por período máximo de 50 anos.
Na próxima edição, encerraremos o estudo do Direito Minerário na África tratando da Namíbia, Nigéria, Tanzânia e Zâmbia.